Resposta direta: escolha engenharia elétrica se você quer uma profissão regulamentada, com serviços que só um profissional habilitado pode assinar. Escolha TI se o que você quer é construir software e trabalhar em um mercado sem reserva legal, onde vale o que você sabe fazer. Para quem pensa em ter o próprio negócio, não é preciso tratar as duas como rivais: tecnologia e inteligência artificial são o que permite uma empresa de engenharia elétrica funcionar com pouca gente.
Este artigo faz parte do guia do estudante de engenharia elétrica que quer ter o próprio negócio.
Não vou comparar qual curso é mais difícil nem qual paga mais. Isso muda com o tempo e com a região. Comparo o que muda para quem quer empreender.
As duas áreas pelo ângulo de negócio
| Engenharia elétrica | TI | |
|---|---|---|
| Quem pode atuar | quem tem diploma e registro no Crea | qualquer pessoa que saiba fazer |
| Concorrência | limitada a profissionais habilitados | aberta, inclusive de outros países |
| Tipo de serviço | projetos, laudos, perícias, consultoria | sistemas, sites, automações, produtos digitais |
| Responsabilidade | técnica e legal, com ART | contratual |
| Cliente típico | empresas e pessoas com instalação elétrica, em qualquer cidade | empresas de qualquer lugar, atendidas à distância |
| Trabalho remoto | parcial: há visita e medição em campo | amplo |
O que a engenharia elétrica tem que a TI não tem
A reserva de atividade. Um laudo ou um projeto elétrico precisa de um profissional habilitado, e isso reduz quem pode concorrer com você. Há ainda serviços que o cliente é obrigado a ter por norma, o que mantém a procura.
O preço disso é a responsabilidade: você responde pelo que assina.
O que a TI tem que a engenharia elétrica não tem
Velocidade para começar. Não há conselho, registro nem espera pelo diploma: quem sabe fazer pode vender. E o serviço viaja, sem depender de visita.
O preço é a concorrência aberta e a necessidade de se atualizar o tempo todo.
Onde a tecnologia entra na empresa de engenharia elétrica
Eu não precisei escolher. A Instel Service é uma empresa de engenharia elétrica que funciona com duas pessoas porque usa tecnologia para o que antes pedia cinco ou seis:
- agentes de inteligência artificial que cuidam da aquisição de clientes;
- acompanhamento automático das propostas enviadas;
- sistemas próprios para organizar a operação;
- site e conteúdo para o cliente chegar sem depender só de indicação.
Eu já tive 15 funcionários e sobrava menos dinheiro do que hoje. A diferença não foi trabalhar mais. Foi trocar estrutura por tecnologia.
Por isso, se você gosta das duas áreas, a combinação é forte: o engenheiro eletricista que sabe programar e usar inteligência artificial monta uma empresa que o concorrente tradicional não consegue copiar rápido.
Como decidir
- Você quer assinar e responder por soluções físicas? Engenharia elétrica.
- Você quer construir software como atividade principal? TI.
- Você quer um negócio próprio de serviços com pouca gente? Engenharia elétrica, aprendendo tecnologia por fora. A habilitação é o que não se consegue em curso livre. Programação e inteligência artificial, sim.
Perguntas frequentes
Engenheiro eletricista consegue trabalhar com TI? Consegue. A área não exige diploma específico, e a base de lógica e matemática ajuda.
Quem faz TI pode fazer projeto elétrico? Não. Projeto elétrico é atribuição de profissional habilitado e registrado.
A inteligência artificial vai substituir o engenheiro eletricista? Ela substitui tarefas, não a responsabilidade técnica: alguém habilitado continua assinando. Na minha empresa ela reduziu a equipe necessária, e não o valor do serviço.
Existe ênfase que junta as duas coisas? Algumas faculdades têm ênfase em computação ou em automação. Veja Qual ênfase de engenharia elétrica escolher?. Se a dúvida ainda é sobre o curso, leia Vale a pena fazer engenharia elétrica hoje?.
Próximo passo
O caminho inteiro do estudante está no guia de engenharia elétrica para quem quer ter o próprio negócio.
Saber o que fazer é metade. A outra metade é não fazer sozinho. A OPBE reúne engenheiros empreendedores que estão no campo de batalha todos os dias. Para quem quer profundidade e direção para entender, ainda na faculdade, como um negócio de engenharia funciona, a comunidade costuma ser o divisor de águas.