Resposta direta: escolha o concurso se o que você mais valoriza é estabilidade e renda previsível, e se consegue estudar por um tempo longo sem garantia de aprovação. Escolha a empresa própria se você valoriza autonomia sobre o tempo e renda sem teto, e aceita meses desiguais. Os dois caminhos pedem anos de esforço. Muda o tipo de risco: no concurso, o de não passar; na empresa, o de não vender.
Este artigo faz parte do guia Formei em engenharia elétrica, e agora?.
Eu escolhi a empresa, então conheço um lado por dentro e o outro por fora. Faço a comparação com esse limite declarado.
Os dois caminhos lado a lado
| Concurso público | Empresa própria | |
|---|---|---|
| Tempo até a primeira renda | o estudo mais o prazo do concurso e da convocação | pode ser de semanas, se você tem contatos |
| Renda durante a preparação | nenhuma, se você só estuda | irregular |
| Risco principal | não ser aprovado ou não haver edital | não conquistar clientes |
| Renda depois | fixa, definida pela carreira | variável, sem teto e sem piso |
| Estabilidade | alta | a que você construir |
| Autonomia sobre o tempo | horário definido pelo órgão | você define, com os clientes |
| O que você estuda | o edital | vendas, precificação, gestão e tecnologia |
| Vagas | as que os editais oferecerem para a sua área | as instalações que precisam do seu serviço |
O que pesa a favor do concurso
- Salário certo todo mês e direitos garantidos.
- Não é preciso vender nada.
- Para quem tem família e pouca tolerância a risco, é uma escolha racional.
O ponto de atenção: concursos com vaga para engenheiro eletricista não saem em data previsível. Você pode estudar por muito tempo para um edital que oferece poucas vagas ou que demora a sair.
O que pesa a favor da empresa
- Você não depende de edital nem de vaga. Depende de existir quem precise do serviço.
- A renda pode crescer com o tempo. Um laudo de instalações elétricas começa acima de R$ 2 mil.
- Você decide a sua semana. Foi isso que me fez sair do emprego: eu não queria passar a vida preso de segunda a sexta.
Os pontos de atenção: no primeiro ano eu faturava perto de R$ 10 mil por mês e, ainda assim, houve meses em que fiquei sem dinheiro. Faturamento não é o que sobra. E quem não aceita vender não vai ter empresa.
Dá para fazer os dois?
Em parte. Muita gente estuda para concurso enquanto presta serviços. O cuidado é não fazer os dois pela metade: o meu maior erro foi tentar aprender tudo ao mesmo tempo.
Depois da aprovação, a regra muda. Servidores públicos têm restrições para administrar empresa e para exercer outras atividades, e elas variam conforme o cargo e o órgão. Leia o estatuto da carreira antes de planejar ter as duas coisas.
Perguntas para decidir
- Quantos meses você consegue ficar sem renda?
- O que incomoda mais: não saber quanto vai ganhar no mês ou não poder decidir o seu horário?
- Você tem contatos que poderiam contratar ou indicar um serviço seu?
- Você se vê fazendo o mesmo tipo de trabalho por muitos anos?
- O que você faria se o caminho escolhido não desse certo em dois anos?
Se as respostas apontam para segurança, o concurso combina com você, e não há nada de errado nisso. Se apontam para autonomia, olhe com calma para a empresa.
Perguntas frequentes
Qual paga mais? Depende da carreira pública e de como a empresa vai. O concurso tem teto conhecido. A empresa não tem teto nem piso.
A empresa própria é mais arriscada? No começo, sim. Com o tempo, ter vários clientes pode ser mais seguro do que parece, porque você não depende de uma fonte só.
Posso abrir empresa se o concurso não der certo? Pode. O tempo de estudo não se perde por completo, mas ele não ensina a vender.
Fui demitido. Devo começar a estudar para concurso? Antes, faça a conta do seu prazo: Fui demitido e estou perdido: quais são as opções realistas para um engenheiro eletricista?.
Próximo passo
Se a sua escolha é a empresa, o caminho está em Como sair do CLT e empreender com engenharia elétrica: o caminho completo. A visão geral das opções está em Formei em engenharia elétrica, e agora?.
Saber o que fazer é metade. A outra metade é não fazer sozinho. A OPBE reúne engenheiros empreendedores que estão no campo de batalha todos os dias. Para quem quer profundidade e direção para transformar o diploma em uma empresa de engenharia, a comunidade costuma ser o divisor de águas.