Resposta direta: largar um emprego de técnico para estagiar em engenharia vale a pena quando o estágio ensina algo que o seu emprego não ensina e você consegue pagar as contas com a bolsa pelo tempo que ele durar. Não vale quando a troca é só pelo título de estagiário de engenharia. E existe uma terceira opção, que foi a minha: sair do emprego para atender por conta própria.
Este artigo faz parte do guia do estudante de engenharia elétrica que quer ter o próprio negócio.
A minha conta
Em 2018 eu era eletricista com carteira assinada, ganhava R$ 2 mil por mês e cursava engenharia elétrica. Eu não troquei o emprego por um estágio. Saí, abri a empresa e comecei a prestar serviços elétricos para quem eu conhecia.
- No terceiro mês eu já tirava mais do que o salário.
- Com seis meses pagava as contas e sobrava um pouco.
- No primeiro ano faturava perto de R$ 10 mil por mês e, mesmo assim, houve meses em que fiquei sem dinheiro.
Eu saí sem reserva e não recomendo. Conto isso para mostrar que a escolha não é só entre salário e bolsa.
As três opções lado a lado
| Continuar como técnico | Estágio em engenharia | Atender por conta própria | |
|---|---|---|---|
| Renda | salário fixo | bolsa, em geral menor | variável, sem piso |
| Jornada | integral | até 6 horas por dia, por lei | você define, e no começo é muita |
| O que você aprende | execução e campo | rotina de engenharia, projeto e documentação | vender, cobrar e entregar |
| Risco | baixo | médio: renda cai por até dois anos | alto nos primeiros meses |
| Depois de formado | experiência prática, pouca vivência de engenharia | porta para vaga de engenheiro | empresa já funcionando |
Quando o estágio vale a troca
- A vaga é em projeto, laudo ou consultoria, coisas que você não vê no campo.
- A empresa é pequena o bastante para você enxergar como ela vende e cobra.
- Você tem reserva ou apoio para viver com a bolsa.
- O seu curso exige estágio obrigatório e o emprego atual não pode ser aproveitado. Pergunte à coordenação antes: algumas faculdades aceitam a atividade profissional na área.
Quando não vale
- A bolsa não cobre as suas contas e você não tem reserva.
- O estágio oferecido é a mesma execução que você já faz, por menos dinheiro.
- A experiência de técnico que você tem já é valorizada onde você quer trabalhar.
O que o técnico já pode fazer
Quem tem formação de técnico em eletrotécnica e registro no CRT pode projetar e dirigir instalações com demanda de até 800 kVA, pela Resolução CFT 074/2019. Ou seja: você pode prestar serviço com responsabilidade técnica própria antes do diploma de engenheiro. Quem é eletricista, como eu era, executa, mas não assina projeto nem laudo.
Essa diferença muda a conta. Para o técnico registrado, atender por conta própria durante a faculdade é uma opção real.
Como decidir
- Some as suas contas fixas e veja quantos meses você aguenta com a bolsa.
- Pergunte na entrevista o que o estagiário faz no dia a dia. Se for o que você já sabe, não é uma troca, é um desconto.
- Verifique se dá para negociar jornada reduzida no emprego atual em vez de sair.
- Teste um serviço por conta própria, dentro do que a sua qualificação permite, antes de pedir demissão.
Perguntas frequentes
A experiência de técnico conta como experiência de engenheiro? Conta como vivência de campo, que muitos engenheiros não têm. Para vagas de engenharia, as empresas costumam pedir experiência na função.
Posso estagiar e continuar trabalhando? A lei limita o estágio a 6 horas por dia. Com um emprego integral e a faculdade, raramente cabe.
E se eu não fizer estágio nenhum? Confira se o seu curso tem estágio obrigatório. Se tiver, ele é condição para se formar. Como conseguir a vaga está em Como conseguir estágio em engenharia elétrica sem experiência.
Próximo passo
Depois da formatura a decisão muda de nome: Formei em engenharia elétrica, e agora?. O caminho do estudante está no guia completo.
Saber o que fazer é metade. A outra metade é não fazer sozinho. A OPBE reúne engenheiros empreendedores que estão no campo de batalha todos os dias. Para quem quer profundidade e direção para entender, ainda na faculdade, como um negócio de engenharia funciona, a comunidade costuma ser o divisor de águas.