Resposta direta: as duas coisas são verdadeiras porque falam de engenheiros diferentes. As empresas dizem que falta engenheiro com experiência em uma função específica, pronto para produzir. Quem está desempregado é, em boa parte, o engenheiro sem essa experiência, fora dos polos onde as vagas estão ou formado em uma área diferente da que se procura. Sobra diploma e falta profissional pronto, no lugar e na especialidade em que a vaga existe.
Este artigo faz parte do guia Formei em engenharia elétrica, e agora?.
O tamanho da turma
Em 2023 o Brasil formou 95.607 engenheiros, dos quais 11.029 em engenharia elétrica, segundo o Censo da Educação Superior do Inep. Todo ano entra no mercado uma turma desse tamanho. Para todos conseguirem emprego como engenheiro, seria preciso abrir uma quantidade parecida de vagas para iniciantes, na cidade onde cada um mora.
Os três desencontros
1. Experiência. A vaga pede alguém que já fez. O recém-formado ainda não fez. A empresa prefere esperar a formar.
2. Lugar. Vagas de engenharia se concentram em polos industriais, grandes obras e sedes de empresas. O engenheiro se forma em qualquer cidade.
3. Especialidade. Dentro da elétrica, quem procura um profissional de proteção de sistemas não contrata um de eletrônica. O título é o mesmo. O trabalho, não.
O que as empresas contratam e o que os clientes pagam
Aqui está a parte que não aparece nessa discussão. Além do mercado de emprego, existe quem paga diretamente por um serviço de engenharia:
| Empresa contratando | Cliente comprando um serviço | |
|---|---|---|
| O que procura | alguém para uma função, por anos | a solução de um problema, agora |
| O que exige | experiência anterior | habilitação e entrega |
| Como você chega | processo seletivo | oferta direta, indicação, presença na internet |
| Limite | número de vagas | número de instalações que precisam do serviço |
Um comércio que precisa regularizar a instalação, uma indústria que precisa de um laudo, um condomínio com problema de energia: nenhum deles abre vaga. Eles contratam um serviço. O engenheiro registrado pode atender os três.
Eu nunca disputei uma vaga de engenheiro. Em 2018 comecei a prestar serviços elétricos para quem eu conhecia, e os laudos vieram em 2022, com o registro. O primeiro cliente de laudo saiu de dentro da carteira de clientes de instalação.
O que isso muda para quem está desempregado
- Parar de medir o mercado só pelo número de vagas anunciadas.
- Ganhar experiência prestando serviços pequenos, que também resolvem o primeiro desencontro.
- Olhar para a própria cidade como um conjunto de instalações, e não como um conjunto de empregadores.
Não é um caminho para todo mundo nem resolve de um mês para o outro. Mas é uma metade do mercado que a maioria nem considera.
Perguntas frequentes
Então não falta engenheiro? Falta para funções específicas e sobra recém-formado sem colocação. As duas coisas convivem.
Fazer pós-graduação resolve? Resolve o desencontro de especialidade quando é em algo que o mercado pede. Não resolve o de experiência.
Mudar de cidade ajuda? Para emprego, pode ajudar, porque as vagas se concentram. Para serviços, a sua rede de contatos na cidade onde você já mora vale muito.
Isso significa que a área não vale a pena? Não. Essa decisão está em Engenharia elétrica é cilada? Vale a pena seguir na área depois de formado?.
Próximo passo
Se você perdeu o emprego e precisa decidir o que fazer agora, leia Fui demitido e estou perdido: quais são as opções realistas para um engenheiro eletricista?. Os caminhos depois do diploma estão em Formei em engenharia elétrica, e agora?.
Saber o que fazer é metade. A outra metade é não fazer sozinho. A OPBE reúne engenheiros empreendedores que estão no campo de batalha todos os dias. Para quem quer profundidade e direção para transformar o diploma em uma empresa de engenharia, a comunidade costuma ser o divisor de águas.