Resposta direta: vale a pena quando o que você busca é autonomia sobre o seu tempo e uma renda sem teto, e quando você aceita trocar a previsibilidade do salário por meses desiguais. Não vale a pena, pelo menos por enquanto, se a sua única motivação é ganhar mais no mês que vem, porque no começo a empresa própria costuma oferecer mais risco do que renda. A decisão não é sobre qual caminho é melhor em geral, e sim sobre qual troca você está disposto a fazer.

Eu fiz essa troca em 2018. Era eletricista com carteira assinada, ganhava R$ 2 mil por mês e saí para abrir a minha empresa. Hoje a Instel Service fatura seis dígitos por mês com duas pessoas. Entre um ponto e outro houve meses sem dinheiro. Os dois lados dessa história entram na comparação abaixo.

Este artigo faz parte do guia Como sair do CLT e empreender com engenharia elétrica, que reúne todas as decisões da transição.

O que você ganha e o que você perde

Emprego com carteira Empresa própria
Renda fixa e previsível variável, sem teto e sem piso
Tempo definido pela empresa definido por você e pelos clientes
Benefícios férias, décimo terceiro e FGTS garantidos precisam sair do que a empresa fatura
Risco do empregador seu
Crescimento depende de promoção depende de vender e entregar
Responsabilidade técnica dentro da estrutura da empresa sua, em cada serviço que assina
O que você precisa aprender a parte técnica a parte técnica e a de negócio

Nenhuma coluna é a certa. O que muda é o que pesa mais para você.

O que me fez sair não foi o salário

O que mais me frustrava era estar preso de segunda a sexta. Se eu precisasse resolver qualquer coisa durante a semana, não podia. Na faculdade eu pensava que não estava cursando engenharia para passar a vida oito horas por dia dentro de uma empresa.

Vale o teste: se o seu incômodo é com tempo e autonomia, a empresa própria resolve. Se o incômodo é com um chefe ou com uma empresa específica, talvez trocar de emprego resolva com muito menos risco.

Engenheiro ganha mais no CLT ou por conta própria?

Depende da fase. No meu caso:

  • no terceiro mês eu já tirava mais do que os R$ 2 mil do emprego;
  • com seis meses eu pagava as contas e sobrava um pouco;
  • no primeiro ano eu faturava perto de R$ 10 mil por mês e, mesmo assim, havia meses em que ficava sem dinheiro.

O último ponto é o mais importante. Faturamento não é salário: dele saem material, deslocamento, impostos e a cobertura dos meses fracos. Quem compara o que a empresa fatura com o salário líquido do emprego está comparando coisas diferentes.

Vale também lembrar de onde eu parti. Passar de um salário de R$ 2 mil é mais rápido do que passar de um salário de engenheiro pleno. Quanto maior o seu salário hoje, mais tempo a empresa leva para alcançá-lo.

A conta completa do que o emprego entrega além do salário está em Quanto valem os benefícios do CLT e como substituí-los na empresa própria.

Mais faturamento não significa valer mais a pena

Eu cheguei a ter 15 funcionários e a faturar muito mais do que a empresa fatura hoje. Era tanto retrabalho, tanto imposto e tanto encargo que eu acabava sem dinheiro. Hoje, com duas pessoas, a empresa fatura seis dígitos por mês e sobra mais.

Para decidir se vale a pena, a pergunta não é "quanto eu posso faturar?", e sim "quanto sobra e quanto tempo me resta?". Uma empresa mal desenhada pode ser um emprego pior do que o que você tinha.

Sinais de que vale a pena para você

  • Você já fez algum serviço por conta própria e alguém pagou por ele.
  • Conhece pessoas que poderiam contratar ou indicar o seu trabalho.
  • Consegue passar alguns meses com renda irregular sem comprometer a sua casa.
  • Está disposto a aprender a vender, e não só a executar.

Sinais de que ainda não é a hora

  • A única motivação é ganhar mais imediatamente.
  • Você nunca vendeu um serviço e não sabe a quem ofereceria o primeiro.
  • Não tem reserva nenhuma e tem contas fixas altas. Eu saí sem reserva e passei meses sem dinheiro; não recomendo repetir.
  • Espera que o diploma ou o registro, sozinhos, tragam clientes.

Nenhum desses sinais é definitivo. Eles indicam o que preparar antes, e não que você deva desistir.

Dá para testar antes de decidir?

Em muitos casos, sim: começar a atender em paralelo ao emprego reduz o risco da decisão. Há limites legais e contratuais que precisam ser respeitados, e eles estão em Posso fazer projetos e emitir ART por fora enquanto ainda sou CLT?.

Perguntas frequentes

CLT ou PJ: qual paga mais na engenharia elétrica? No começo, o emprego costuma pagar com mais segurança. No médio prazo, a empresa própria não tem teto, mas também não tem piso. Compare sempre o que sobra, e não o que entra.

Preciso sair do emprego para começar? Não necessariamente. Dá para validar a procura antes, respeitando os limites do seu contrato e do seu registro profissional. Veja o que pode e o que não pode ao atender por fora sendo CLT.

E se eu me arrepender? Voltar ao mercado de trabalho continua sendo possível, e você volta sabendo vender, precificar e entregar, o que poucos profissionais sabem.

Próximo passo

Se a resposta para você é "sim, vale a pena", o passo seguinte é decidir quando: Qual é a hora certa de pedir demissão para abrir uma empresa de engenharia?. O mapa inteiro da transição está em Como sair do CLT e empreender com engenharia elétrica: o caminho completo.

Este artigo mostra o caminho. Percorrer é outra história, e fica muito mais fácil ao lado de quem já passou por ele. Na OPBE, a nossa comunidade de engenheiros empreendedores, você tem direcionamento para sair do emprego e construir a sua empresa de engenharia, com gente que está no campo de batalha todos os dias.

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